WGA On Strike: a greve dos roteiristas nos Estados Unidos
- Giovanna Orcioli
- 3 de jun. de 2023
- 2 min de leitura

O que significa?
Na última terça-feira, o Sindicato dos Roteiritas da América (Writers Guild American, em inglês) entrou em greve após o fracasso nas seis semanas de negociações com os grandes estúdios de produção de Hollywood (Netflix, Amazon, Disney, Warner Brothers, NBC, Universal, etc).
A principal reivindicação dos roteiristas é o aumento salarial. A revolução do streaming e suas inovações afetam diretamente os salários das equipes, os diminuindo principalmente conforme os estúdios investem menos dinheiro em temporadas ainda menores do que o usual e tomam para si a maior parte dos lucros. Entretanto, outra cláusula importante da negociação é o uso da inteligência artificial: os profissionais desejam a segurança de que os seus textos não se transformarão apenas em recursos para ensinar a tecnologia a fazer o mesmo trabalho.

No que influencia?
De forma objetiva, a greve dos roteiristas afeta diretamente uma boa parte das produções de cinema e TV dos Estados Unidos. A curto prazo, no entanto, as produções mais afetadas serão as que possuem intervalos menores entre a produção e o lançamento, tais como as novelas, os programas de talk show e alguns seriados.
Na última vez que o WGA entrou em greve (2007), a série Gossip Girl, por exemplo, entrou em hiato, e outras produções, como The Office, tiveram uma queda no número e na qualidade de seus episódios. Isso significa que o mesmo poderia acontecer com as séries que estão em um período entre temporadas e os filmes atualmente em pré-produção.
A greve dos roteiristas vai muito além da pausa nas produções, mas suas possíveis consequências nos ajudam a entender que as séries e os filmes que tanto amamos não dependem apenas de quem fica em frente às câmeras: eles são produtos das mentes de milhares de roteiristas que trabalham dia e noite para trazer essas histórias à vida. Roteiristas estes que, atualmente, recebem salários considerados insuficientes e não proporcionais ao seu trabalho (ou ao lucro gerado por ele e apropriado pelos estúdios).

Por que é importante?
Primeiramente, é importante destacar que essa não é a primeira vez que equipes de produção de Hollywood entram em greve por questões salariais: o mais antigo dos registros remonta à 1941, ano em que os animadores da Disney permaneceram em greve até que a empresa assinasse um contrato de sindicalização. Desde então, aconteceram mais 14 paralizações, sendo 7 delas por parte dos roteiristas.
Apesar das constantes reivindicações, esses profissionais continuam sendo desvalorizados, subestimados e invisibilizados, o que, de forma cíclica, os leva a clamarem por melhores condições novamente. Dessa vez, eles clamam também pelo respeito ao seu ofício, que não merece ser entregue nas mãos de máquinas.
Os roteiristas estão por trás de quase toda a mídia que a gente consome: sem eles, séries, filmes, talk shows e programas de televisão não chegariam nem ao estágio de “ideias que não saíram do papel”, pois não haveria quem as escrevesse no papel em primeiro lugar. Eles são os responsáveis pelo fundamento de cada história, de cada cena e de cada frase que levamos no coração. O mínimo que eles merecem é uma recompensa justa e proporcional ao seu trabalho, e o ideal é que se escutem as histórias dos roteiristas para que eles possam continuar escrevendo as nossas.



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