Como estava escrito, “Duna: Parte Dois” é o épico da nossa geração (sem spoilers)
- Giovanna Orcioli
- 3 de mar. de 2024
- 3 min de leitura

Os anos 80 tiveram “Star Wars”, os anos 2000 tiveram “O Senhor dos Anéis” e, até então, não havia sinal da grande saga da nossa geração. Tendo 17 anos, eu nunca tinha chegado a presenciar o surgimento de uma nas telonas, e sei que esse também é o caso para uma boa parte dos jovens cinéfilos. Graças ao Denis Villeneuve, finalmente tivemos o privilégio de assistir um futuro clássico na noite de estreia – e eu afirmo, com muita certeza, que “Duna: Parte Dois” será o filme que ainda falaremos sobre e usaremos como referência por muitos anos.
“Duna: Parte Dois” é um projeto de muitos superlativos absolutos, se tornando exemplo e modelo para qualquer cineasta em qualquer área da produção cinematográfica: o filme possui demonstrações de maestria não só na direção, mas também no roteiro, na atuação, na trilha sonora e na cinematografia. Justamente por estar trabalhando com a excelência em tantas formas e em altíssimos níveis, Denis Villeneuve tinha em mãos um filme extremamente ambicioso que facilmente teria saído dos eixos na mão de outro alguém. É raro, no cinema, ver um diretor tão visivelmente seguro sobre o seu trabalho quanto Denis Villeneuve, e é, portanto, uma sorte gigante que ele esteja no comando dessa saga.

Essa segurança se reflete também na história, e até se intensifica em relação ao filme anterior. Se “Duna” deixou alguma abertura para ser criticado por apresentar uma narrativa do “salvador branco”, “Duna: Parte Dois” não poderia ter sido mais claro sobre a sua mensagem: ele é uma crítica cirúrgica e gritante ao fanatismo religioso como ferramenta do imperialismo, e, obviamente, ao imperialismo em si. É um pouco inacreditável, honestamente, que essa ideia tenha sido mal interpretada da primeira vez – começar o filme com a Chani perguntando “quem serão os nossos próximos opressores?” e com um close do Paul em seguida deveria ter sido uma boa dica até para os alienados. De qualquer forma, Villeneuve não deixou qualquer espaço para más interpretações e levou a história a proporções que me deixam com muitas expectativas para a adaptação de “Messias de Duna” e, simultaneamente, sem saber como ele vai conseguir superar algo que já está tão próximo da perfeição.
Entretanto, uma andorinha só não faz verão: é impossível elogiar “Duna: Parte Dois” sem reconhecer todo o trabalho que vai além da direção e do roteiro. Greig Fraser, diretor de fotografia também responsável por “Duna” e “O Batman”, talvez tenha acabado de criar o filme de ficção científica mais visualmente lindo de todos os tempos. A magnitude das cenas é de tirar o fôlego, principalmente em uma tela de cinema, e a cinematografia é perfeita e habilmente intrínseca à narrativa, tornando-a ainda mais admirável.

É difícil ditar um único destaque em todo o filme porque tudo é da mais alta qualidade, mas se eu tivesse que fazê-lo, escolheria as atuações do Timothée Chalamet e da Zendaya. Ambos carregam a atenção e a admiração do espectador de formas opostas e complementares, principalmente durante o terceiro ato, no qual a dicotomia entre o poder e a imperatividade nos discursos de Paul e a sensibilidade e a valentia nas expressões de Chani carregam a história e demonstram o infinito talento de seus atores. Apesar do filme apresentar outras incríveis performances, como a da Rebecca Ferguson e do (ex-Elvis Presley) Austin Butler, não se pode negar o inegável: querendo ou não, a história sempre retornará para a cena com a qual começou, e Paul e Chani sempre serão os rostos que estavam lá desde o início.



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