Fazendo justiça com estilo
- Giovanna Orcioli
- 28 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
A nova super-heroína da Marvel chegou para ficar: enquanto seu primo Bruce Banner esmaga prédios, ela esmaga a quarta parede e finais ruins.

Da mesma forma que um homem se torna menos ignorante ao reconhecer a própria ignorância, “She-Hulk” se torna uma comédia mil vezes melhor ao reconhecer que não passa disso e se negar a seguir outro caminho. A série entregou a comédia misturando o mundo da advocacia e dos super-heróis que prometeu e ainda ousou a ir além, apresentando um desenvolvimento muito bem feito da protagonista e o calvo favorito do MCU como interesse amoroso. Mas ainda assim ainda há quem diga que é a pior coisa que a Marvel já fez.
Ainda mais importantemente, “She-Hulk” surpreende o público ao ser, provavelmente, a primeira série da Marvel que propriamente aborda questões pessoais de protagonistas femininas. Ao decorrer de nove episódios, a narrativa acompanha Jennifer Walters enquanto ela tenta conciliar o seu trabalho, seus novos super-poderes, sua vida amorosa e suas próprias inseguranças, podendo se dizer que esse malabarismo das diferentes esferas da vida é exatamente o foco da série. E as conversas sobre as dificuldades de existir como mulher no mundo atual estão presentes em cada uma dessas esferas, mostrando uma abordagem de personagens femininas completamente oposta daquela que o MCU tinha em 2008 (e, honestamente, já era mais do que tempo da Marvel abrir mão, pelo menos em parte, da male gaze abundante que permeava todas as suas histórias).

Na minha humilde opinião, como eu já disse e repito, “She-Hulk” entregou o que prometeu. Além disso, ela tem como bônus o detalhe de ter inovado na quebra da quarta parede (especialmente durante o último episódio, que é puro ouro). De forma cômica e perfeitamente cronometrada, a protagonista toma as rédeas da história e expressa os seus sentimentos diretamente para o público, tal qual Fleabag, personagem escrita e interpretada por Phoebe Waller-Bridge na série homônima. Ademais, um olhar mais atencioso para o contexto no qual “She-Hulk” se encontra permite a percepção de que ela quebra a quarta parede do próprio enredo, se apresentando em si como uma alfinetada cirúrgica direcionada aos próprios odiadores que a rotulam como “feminista demais” ou “desnecessária no MCU” e comicamente provam o ponto sendo feito.
Todos esses fatores, combinados com a performance sensacional da Tatiana Maslany, só me fazem afirmar uma coisa: a Jennifer Walters pode até não ser pra todo mundo, mas não é coincidência que os seus odiadores parecem ser os maiores perdedores do planeta Terra.
Todos os 9 episódios de She-Hulk estão disponíveis no Disney+.



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